

O Tribunal de Contas de Roraima (TCE-RR) promoveu uma oficina de estratégias para ajudar a Fundação Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Femarh) a criar o seu Plano de Dados Abertos (PDA). O objetivo é garantir a transparência ativa (quando o órgão publica as informações na internet, sem que ninguém precise pedir) e facilitar o acesso da população à informações sobre os recursos hídricos e florestais do estado.
A capacitação do corpo técnico da fundação é fruto de uma parceria entre o
TCE-RR, a Femarh e a Transparência Internacional - Brasil. Especialistas de
instituições como o Instituto Centro de Vida (ICV), a Open Knowledge Brasil
(OKBR) e a Secretaria de Desenvolvimento Ambiental de Rondônia (Sedam-RO),
também participam de maneira remota.
Na abertura, o presidente do TCE-RR, conselheiro Brito Bezerra, destacou que a
transparência é um legado de cidadania. "Preservar o meio ambiente é nossa
obrigação para com as futuras gerações", afirmou, reforçando que a
fiscalização deve caminhar junto com a democratização da informação.
Temas discutidos
No primeiro dia do evento promovido quinta-feira,05, Dário Cardoso, da Transparência Internacional - Brasil,
iniciou as discussões apresentando o guia e a legislação sobre transparência
ambiental e florestal. Na sequência, Júlia Mariano (ICV) apresentou uma
avaliação do cenário atual no estado de Roraima, enquanto os auditores Valdélia
Lena e Carlos Heider Souza detalharam a atuação do TCE-RR na fiscalização
desses dados.
A manhã contou ainda com a participação de Luana Tabaldi e Dannyel Silva Cunha,
que expuseram a realidade interna da Femarh, além de palestras sobre o
GeoPortal da Sedam-RO, com Charlles Barata, e sobre a elaboração de Planos de
Dados Abertos, conduzida por Haydée Svab, da Open Knowledge Brasil.
A programação encerrou nesta sexta-feira (06) com um foco estritamente prático,
unindo auditores e gestores na construção de um diagnóstico preciso para
eliminar gargalos tecnológicos e garantir que os dados ambientais de Roraima
sejam, finalmente, um livro aberto ao cidadão.
Para Daniel Oliveira, diretor de gestão florestal da FEMARH, a oficina será
fundamental para a equipe desenvolver o PDA. "Vimos as nossas falhas e
vamos começar a ajustar o que temos dificuldade; vimos nosso potencial também,
pra poder estabelecer os nossos critérios e publicar esses dados,"
conclui.
Prevenção e Diálogo
Nos últimos anos, o sistema Tribunais de Contas tem adotado uma atuação mais
dialógica, para aprimorar a gestão pública. Em 2025, o TCE-RR publicou a
Resolução 007/2025, que define que o órgão pode adotar procedimentos ou mediar
soluções consensuais em temas de grande impacto sobre a administração pública e
a sociedade, e na prevenção de conflitos.
No caso da Femarh, a secretária de Avaliação e Monitoramento de Políticas
Públicas do TCE-RR, Valdélia Lena, explicou que antes mesmo da fiscalização
oficial, a fundação já se mostrava interessada na correção das falhas
identificadas. "Percebemos que a cada conversa a Femarh melhorava o site,
demonstrando boa vontade. E o nosso foco, enquanto Tribunal de Contas não é
punir, mas garantir que o serviço público funcione para o cidadão”, afirmou.
Fonte: TCE RR